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Ervas-de-passarinho

"In the case of the mistletoe, which draws its nourishment from certain trees, which has seeds which must be transported by certain birds...Its is therefore, of the highest importance to gain a clear insight into the means of modification and coadaptation."

Darwin (1859) - Origem das espécies

Ervas-de-passarinho são plantas parasitas aéreas de arbustos e árvores. Mais precisamente, pertencem à ordem Santalales, na qual parte das famílias desenvolveu o parasitismo aéreo (Nickrent, 2011). Todas as espécies de ervas-de-passarinho invadem o xilema dos hospedeiros utilizando uma raiz modificada chamada haustório, sendo capazes de realizar fotossíntese. Por isso, elas são parcialmente parasitas (hemiparasitas).

Em todo o mundo, as aves são as principais dispersoras de sementes das ervas-de-passarinho, alimentando-se dos frutos e regurgitando ou defecando as sementes nos galhos das árvores. As ervas-de-passarinho também podem ser dispersas por autocoria (como em Arceuthobium) ou por mamíferos, como em Tristerix corymbosus, dispersa também por marsupiais do gênero Dromiciops na Argentina e no Chile (Amico e Aizen, 2000).

Por serem plantas parasitas, as pessoas desavisadas podem pensar que as ervas-de-passarinho são criaturas indesejadas, cuja única função é prejudicar seus hospedeiros. No entanto, segundo o Dr. David Watson (Universidade Charles Sturt, Austrália), elas se assemelham mais às dríades do que ao Drácula, atuando como facilitador para outras plantas e oferecendo alimento e abrigo para a fauna, incluindo insetos, aranhas, pássaros, mamíferos e muitos outros (Watson, 2001). Além disso, estudos recentes demonstraram que as ervas-de-passarinho também produz uma serapilheira rica em nutrientes, que constitui uma fonte preciosa de minerais para plantas em alguns ecossistemas com solos pobres (March e Watson, 2007).

Finalmente, existem várias espécies de ervas-de-passarinho ameaçadas de extinção espalhadas pelo mundo e praticamente nada é conhecido a respeito delas (Fadini et al., 2024). Está aí um grupo legal para desenvolver uma carreira na ciência. Bora começar? Para isso, basta entrar em contato comigo, que posso orientá-lo(a) no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade (UFOPA) ou no Programa de Pós-Graduação em Biologia (Ecologia) do INPA.

ovos de borboleta em Psittacanthus.jpg

A complexidade reside nos detalhes. Um hospedeiro infectado por um visco, que por sua vez abriga os ovos de uma borboleta, os quais são infectados por uma minúscula vespa parasitoide.

Literature cited:

  1. Amico, G., Aizen, M.A., 2000. Mistletoe seed dispersal by a marsupial. Nature 408, 929–930.

  2. Fadini, R. F., Caires, C. S., Dettke, G. A., Menezes, M. O., & Fonturbel, F. E. (2024). Conservation opportunities for rare and endemic tropical mistletoes. Flora, 317, 152555.

  3. March, W.A., Watson, D.M., 2007. Parasites boost productivity: Effects of mistletoe on litterfall dynamics in a temperate Australian forest. Oecologia 154, 339–347.

  4. Nickrent, D.L., 2011. Santalales (Including Mistletoes), in: Encyclopedia of Life Sciences. John Wiley & Sons, Ltd, Chichester, UK, pp. 1–6.

  5. Watson, D.M., 2009. Parasitic plants as facilitators: More Dryad than Dracula? J. Ecol. 97, 1151–1159.

  6. Watson, D.M., 2001. Mistletoe—A keystone resource in forests and woodlands worldwide. Annu. Rev. Ecol. Syst. 32, 219–249.

Cultive sua própria erva-de-passarinho

Cultivar ervas-de-passarinho pode parecer uma loucura. Mas acredite! Vale à pena! Escolha uma espécie nativa, não agressiva, e plante em um hospedeiro compatível. Nas imagens abaixo eu fiz o exercício de cultivar Psittacanthus biternatus (exceto a última foto, que é de P. plagiophyllus) em uma árvore de Murici (Byrsonima crassifolia). Na descrição da foto está o número de meses que transcorreram desde a germinação até a respectiva fase. Espero que eu o ajude a cultivar essas fantásticas plantas!

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